Brasil precisa de reformas estruturais para atingir potencial, diz FMI
RIO - O Brasil precisa realizar reformas estruturais para atingir seu potencial, diz uma nota da diretoria-executiva do FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre a revisão anual da economia brasileira, divulgada nesta quinta-feira. Segundo o comunicado, as medidas a serem tomadas para garantir que o país atinja "todo o seu potencial" incluem a reforma dos gastos do setor público e dos sistemas de aposentadoria e previdência social.
"O Brasil terá de realizar reformas estruturais bem direcionadas para ampliar a produtividade e a competitividade, bem como impor medidas para aumentar a poupança interna", diz a nota.
O comunicado diz ainda que a diretoria do FMI concordou que a política monetária deve continuar centrada em ancorar as expectativas inflacionárias e que o regime de taxa de câmbio flexível tem sido útil ao país. Menciona, porém, a avaliação de técnicos do Fundo de que "a taxa de câmbio real parece estar sobrevalorizada" no Brasil.
"Embora reconhecendo a necessidade de taxação temporária das entradas de capital para investimento de carteira, a Diretoria sugeriu analisar uma estratégia de longo prazo que combine aperto na política fiscal, taxas de juros mais baixas e medidas prudenciais", diz o texto.
Na nota, o FMI reafirma a previsão de crescimento de 7,1% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro neste ano, estimativa já divulgada no mês passado.
O documento volta a afirmar que o Brasil superou a crise mundial "mais cedo e mais rapidamente do que a maioria das outras economias" e cita o "sólido quadro macroeconômico" do país.
"As ações oportunas das autoridades foram cruciais para conter os efeitos negativos da crise mundial e lançaram os alicerces da recuperação", diz a nota, ressaltando a força do sistema financeiro do país.
O relatório diz que o "desempenho notável" do Brasil foi sustentado "pela robusta política econômica, baseada na responsabilidade fiscal, na flexibilidade do câmbio e em metas de inflação factíveis".
No entanto, segundo a nota, a diretoria do Fundo observou um aumento da pressão sobre os fatores de produção e maior complexidade da política monetária, na esteira de uma forte entrada de capitais.
"Esse cenário exige uma combinação de políticas econômicas cuidadosamente calibradas para preservar a estabilidade financeira e macroeconômica", diz o relatório.
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