Rio de Janeiro - 31/07/2010 - 12:43

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Crises Econômicas, Gestão de Risco e Valor da Empresa


Data: 01 de abril de 2009


Um ditado muito antigo da velha economia dizia que o segundo melhor negócio do mundo era um poço de petróleo mal administrado e o primeiro melhor negócio do mundo era um poço de petróleo bem administrado.  Entretanto é no ambiente de crise econômica que fica mais fácil a separação entre empresas que realmente criam valor a partir da gestão interna eficiente, isto é, pela escolha de projetos com VPL (valor presente líquido) positivo, de empresas que criam valor a partir de pura sorte ou de condições econômicas externas favoráveis. É esperar para ver se empresas como Vale e Petrobras continuarão a gerar valor a partir de um ambiente econômico desfavorável e de tendência de queda no preço das commodities como o que se descortina. É bem verdade também que não é fácil em muitos casos atribuir o mérito da criação de valor para o acionista unicamente à aos gestores, isolando os efeitos externos favoráveis e quase sempre incontroláveis.

  A gestão da empresa baseada no aumento contínuo e sistemático de seu valor tornou-se imprescindível como o melhor guia para os administradores. Nas oportunidades que tive em assessorar a implantação de sistemas de gestão baseada no valor da empresa pude testemunhar o forte entusiasmo de todos na empresa porque a partir daquele momento a empresa passava a ter uma medida econômica concreta de suas estratégias. A mensagem da gestão baseada em valor é clara: devemos administrar a empresa para gerar valor para o seu principal provedor de capital que é o acionista investidor. Sem o acionista não há recursos para continuar a empresa e sem a empresa muitas oportunidades de empregar capital e pessoas são perdidas.

            É também baseado no valor do negócio que podemos implantar uma gestão de risco na empresa. Hoje em dia é relativamente fácil construir modelos financeiros para a empresa com base em projeções do futuro e a partir deles fazer simulações estatísticas dos riscos associado tanto à operação da empresa (variáveis endógenas) quanto ao ambiente econômico externo (variáveis exógenas) que contribuem para a meta de aumentar o valor da empresa a cada ano. A simulação de risco ajuda os administradores a se prevenirem de situações altamente comprometedoras da continuidade da empresa, como podemos observar em casos recentes de grandes empresas brasileiras que se viram em sérios problemas financeiros a partir da mudança drástica do ambiente econômico, que antes era altamente favorável à empresa e repentinamente tornou-se altamente desfavorável.

              Não estou pregando aqui a aversão ao risco, mas sim a adoção de estratégias com riscos bem calculados. Mesmo porque a velha relação positiva entre risco e retorno é uma grande verdade: risco e retorno são dois lados da mesma moeda. Isto é, quanto maior o retorno desejado, maior deve ser o risco assumido.

            Seja empresa de petróleo seja empresa de biotecnologia, é muito importante destacar o mérito da gestão interna da empresa na criação do valor para o acionista, porque não se pode contar sempre com a sorte na condução dos negócios. Se fosse para fazer dinheiro baseado na sorte apenas o investidor iria a Las Vegas não a Wall Street.


Autor: Marcelo Arantes Alvim, mestre em economia, professor do curso Valuation do IBEF e sócio da M&A Valuing-Avaliação Financeira de Negócios
 

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